quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Resumo da obra “A Identidade Cultural na Pós-modernidade”, de Stuart Hall.



A obra de Stuart Hall, “A Identidade Cultural na Pós-modernidade”, tem como objetivo demonstrar o perfil atual da identidade cultural, que se encontra plurificada ou mesmo inconstante na constituição dos indivíduos inseridos no atual contexto histórico da pós-modernidade, a qual sofre as interferências da dispersão e concretude de linhas teóricas modernas e da globalização . Sinteticamente, o autor busca discorrer sobre a “crise de identidade” que afeta as sociedades contemporâneas.
Segundo o autor, as sociedades do final do século XX têm sofrido uma mudança estrutural que se irradia nas transformações das “paisagens culturais”, antes sólidas e estáveis, como o gênero, a sexualidade, a etnia, a raça e a nacionalidade. Tais transformações influenciam a formação cultural das pessoas, que acabam ficando divididas periodicamente entre os velhos e novos padrões, bem como entre as mais variadas classes que surgem na metade do século.
 Todas essas transformações acontecem principalmente em decorrência da quebra do pensamento de teorias clássicas, como o iluminismo, acerca da identidade cultural ligada ao sujeito, como sendo a essência deste. O pensamento iluminista, que agregava visões racionalistas, individualistas e humanistas, deu suporte à idéia de que o próprio sujeito seria “o responsável” pelo seu reconhecimento cultural, visto que a identidade é algo intrínseco e essencial, a qual se desenvolve com o crescimento e vida do sujeito.
A ruptura da concepção de identidade como essência do sujeito abalou o pensamento da Era Moderna, retirando-o do foco central. Esse processo deu-se principalmente em cinco momentos principais apontados pelo autor. O primeiro deles é a corrente marxista, que com a teoria do materialismo histórico-dialético aduzia que o sujeito está preso às suas condições históricas, tanto em sua formação, quanto na transformação das suas relações sociais, ou seja, o reconhecimento cultural do sujeito estaria ligado a sua historicidade ainda que na construção de mudanças sociais.
O segundo momento é a descoberta do inconsciente, teorizado por Freud, que seria o grande responsável pela formação cultural do sujeito, através de processos psíquicos e simbólicos do inconsciente, que intermedeiam as relações que o sujeito tem com o mundo externo, formando e alterando, ao longo do tempo, a sua constituição e posteriormente, sua identidade. Assim, a racionalidade é posta em segundo plano e a idéia de identidade como essência humana é tacitamente refutada.
 O terceiro momento é o desenvolvimento do estruturalismo lingüístico de Saussure que teoriza  a língua como um sistema pré-existente e social (não-individual). Isso implica que a utilização da linguagem é um processo de formação cultural, no qual acopla valores ao individuo em sua formação, sendo, desse modo, formadora da identidade do sujeito.
Já o quarto momento é a ideia de “poder disciplinar”, desenvolvida por Foucault, que trata sobre o controle e disciplina com base no poder dos regimes administrativos, isto é, instituições que coletivas que mantém os comportamentos humanos e que são capazes de torná-los “dóceis”. O quinto momento é o nascimento do feminismo e dos movimentos revolucionários, estudantis contraculturais e antibélicos, na luta pelos direitos civis e da paz. Tais movimentos dão origem a novas classes ou agrupamentos sociais que posteriormente vão pluralizar ainda mais a identidade cultural.
Não fosse somente por tais acontecimentos que ensejassem a crise da identidade, atualmente existe uma rápida difusão de idéias e interacionismo entre nações através da chamada “compressão do espaço-tempo”, oriunda do fenômeno da globalização, que vem a fortalecer a tese de fragilidade da identidade, visto que as identidades nacionais estão em declínio, dando lugar a “identidades híbridas”.
Hall aponta que a interdependência global está levando ao colapso de todas as identidades culturais fortes, através do bombardeamento da infiltração cultural e que está havendo a homogeneização das identidades nacionais.
Essa homogeneização se dá de forma desigual, através de uma “geometria de poder”, na qual a “ocidentalização” tem se alastrado sobre os países periféricos, de forma que os países centrais engendram pouco da culturas do “resto”. Assim, pode existir um fortalecimento de identidades locais (como reação defensiva dos grupos étnicos dominantes) ou a produção de novas identidades (o que comumente tem se verificado).
Com o processo de globalização, as identidades nacionais (mesmo sendo alvo de dúvidas quanto a idéia disseminada de rígida unificação das identidades culturais) estão se tornando cada vez mais deslocadas e essa é uma preocupação para o autor, posto que, para ele, a identidade nacional, mesmo que precariamente, unifica um “povo”, que passa a se identificar na comunidade em que vive, que dá alguma consistência a essa identidade.
Stuart Hall alude que, não obstante, para alguns autores, o hibridismo representa um aspecto positivo, pois produz novas formas de cultura, mais apropriadas à modernidade tardia. Entretanto, o autor deixa claro que nem sempre a tentativa de sincretismo traz resultados pacíficos, citando alguns exemplos históricos.

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